{"id":5822,"date":"2022-08-01T13:13:24","date_gmt":"2022-08-01T16:13:24","guid":{"rendered":"https:\/\/hml.artica.capital\/asset-cartas\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro\/"},"modified":"2022-08-01T13:13:24","modified_gmt":"2022-08-01T16:13:24","slug":"davi-e-golias-no-mercado-financeiro","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/asset-cartas\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro\/","title":{"rendered":"Davi e Golias no mercado financeiro"},"content":{"rendered":"<p>Dear investors,<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o funcionamento do mercado financeiro no Brasil ainda e pouco claro para a maior parte dos investidores individuais. Por exemplo, j\u00e1 se perguntou como as grandes corretoras ganham dinheiro, mesmo oferecendo servi\u00e7os gratuitos para pessoas f\u00edsicas, e quais as implica\u00e7\u00f5es deste modelo de neg\u00f3cios para os investidores?<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais fontes de receita das corretoras cobrar comiss\u00f5es comerciais dos fundos de investimento dispon\u00edveis em sua plataforma, que comumente chegam a 50% de todas as taxas pagas pelos investidores aos gestores dos fundos, ao longo de todo o per\u00edodo de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Este modelo de neg\u00f3cios tem duas implica\u00e7\u00f5es relevantes. A primeira \u00e9 que os assessores das corretoras, que atendem clientes gratuitamente, t\u00eam o incentivo de recomendar os produtos que pagam as maiores comiss\u00f5es, e n\u00e3o necessariamente os que s\u00e3o melhores para cada cliente. A segunda implica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a remunera\u00e7\u00e3o dos gestores, que efetivamente trabalham para melhorar a rentabilidade dos investimentos, \u00e9 reduzida pela metade. O restante fica para as corretoras, que proporcionam a comodidade de um bom aplicativo e poder centralizar os investimentos em uma conta s\u00f3, mas n\u00e3o contribuem em nada para melhorar o retorno sobre o capital investido. \u00c9 como se a embalagem custasse a mesma coisa que o produto que vem dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia dessa estrutura, os gestores buscam compensar a redu\u00e7\u00e3o da taxa aumentando o capital sob gest\u00e3o do fundo. Por\u00e9m, isso gera um \u00f4nus para seus investidores, pois, quanto maior \u00e9 o fundo, mais dif\u00edcil \u00e9 conseguir excelentes retornos. Este ser\u00e1 o tema da carta de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fundos menores, retornos maiores<\/h2>\n\n\n\n<p>O fato de fundos pequenos terem retornos m\u00e9dios maiores do que grandes fundos \u00e9 bastante conhecido no mercado financeiro. Apesar do tema ser pouco comentado, h\u00e1 v\u00e1rios estudos e artigos que comprovam o ponto\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p>A Aurum, uma gestora de <em>funds of funds<\/em> (fundos especializados em selecionar e investir em cotas de outros fundos), analisou os retornos de <em>hedge funds<\/em> entre 2010 e 2018. No in\u00edcio do per\u00edodo, havia cerca de 1.700 fundos que acumulavam USD 1,7 trilh\u00f5es sob gest\u00e3o, e no final do per\u00edodo havia 3.800 fundos com USD 3,2 trilh\u00f5es sob gest\u00e3o. Encontraram uma correla\u00e7\u00e3o clara entre o tamanho do fundo e a rentabilidade: enquanto fundos \u201cmicro\u201d (menos de USD 50 milh\u00f5es sob gest\u00e3o) tiveram retorno m\u00e9dio de 7,7% ao ano, os fundos \u201cmega (mais de USD 5 bilh\u00f5es sob gest\u00e3o) tiveram retorno m\u00e9dio de 5,1% ao ano. A diferen\u00e7a \u00e9 maior do que parece: USD 100 mil investidos nos fundos \u201cmega\u201d se tornariam USD 156 mil ao final dos 9 anos, enquanto o mesmo investimento nos fundos \u201cmicro\u201d chegaria a USD 195 mil, um valor final 25% maior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"170\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-01.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5820\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-01.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-01-18x10.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n<p>Fonte: Aurum Research Limited<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O resultado \u00e9 o mesmo no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>Para verificar se essa diferen\u00e7a de retorno tamb\u00e9m se aplicava aos fundos de a\u00e7\u00f5es atuantes no mercado brasileiro, coletamos dados de 1.049 fundos de investimento listados na CVM com patrim\u00f4nio l\u00edquido a partir de R$ 50 milh\u00f5es para o per\u00edodo de 2012 a 2021 e comparamos o retorno m\u00e9dio entre diferentes faixas de tamanho. O resultado foi similar. N\u00e3o h\u00e1 eros\u00e3o de retorno at\u00e9 a faixa dos R$ 750 milh\u00f5es, mas o retorno m\u00e9dio come\u00e7a a se reduzir depois disso. Enquanto os fundos menores que R$ 750 milh\u00f5es tiveram um retorno m\u00e9dio de 10,61%, os maiores de R$ 5 bilh\u00f5es tiveram retorno de 0,66%. Ou seja, R$ 100 mil investidos nos fundos grandes se tornariam R$ 107 mil ao longo desses 10 anos, enquanto o mesmo investimento, nos fundos pequenos, chegaria a R$ 274 mil, levando a um valor final 157% maior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"169\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-02.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5821\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-02.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/davi-e-golias-no-mercado-financeiro-02-18x10.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n<p>Fonte: CVM, an\u00e1lise \u00c1rtica<\/p>\n\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que isso acontece?<\/h2>\n\n\n\n<p>Neg\u00f3cios gigantescos s\u00e3o bastante raros. Por exemplo, no Brasil temos 366 empresas listadas\u00b2 em bolsa, das quais 253 valem menos de R$ 5 bilh\u00f5es, 95 valem entre R$ 5 e 50 bilh\u00f5es e apenas 18 valem mais do que R$ 50 bilh\u00f5es. De maneira similar, h\u00e1 menos oportunidades de investimento em que \u00e9 poss\u00edvel investir bilh\u00f5es de reais, devido ao pr\u00f3prio porte da empresa ou pela liquidez de suas a\u00e7\u00f5es no mercado, do que oportunidades para investir dezenas ou poucas centenas de milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, gestores de fundos tipicamente s\u00f3 investem tempo analisando oportunidades que possibilitem investir um valor m\u00ednimo. Quanto maior \u00e9 o fundo, maior \u00e9 o valor m\u00ednimo exigido, sendo tamb\u00e9m maior o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o passam nesse filtro e s\u00e3o ignoradas. Um fundo que s\u00f3 investisse em a\u00e7\u00f5es com valor de mercado acima de R$ 5 bilh\u00f5es analisaria apenas 113 a\u00e7\u00f5es na bolsa brasileira, desprezando as outras 253, que representam 69% das poss\u00edveis oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, os fundos grandes competem entre si pelo restrito n\u00famero de oportunidades de investimento que podem absorver grandes volumes de capital. Essa competi\u00e7\u00e3o acirrada entre investidores profissionais torna mais dif\u00edcil que surjam grandes assimetrias entre o pre\u00e7o e o valor intr\u00ednseco de cada ativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por consequ\u00eancia, a chance desses fundos terem retornos muito altos acaba sendo menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, h\u00e1 bem menos competi\u00e7\u00e3o pelas pequenas oportunidades e, em certos casos, a competi\u00e7\u00e3o vem de investidores n\u00e3o profissionais, que t\u00eam maior propens\u00e3o a cometer falhas e precificar mal a a\u00e7\u00e3o analisada. Assim, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar <em>small caps<\/em> (a\u00e7\u00f5es com baixa liquidez, geralmente de empresas menores) subvalorizadas no mercado e, al\u00e9m disso, <em>small caps<\/em> tendem a apresentar retornos maiores que as <em>large caps<\/em> no longo prazo\u00b3, pois costumam ter maior potencial de crescimento e estruturas de gest\u00e3o mais \u00e1geis e eficientes. Os fundos que podem investir em empresas desse tipo levam vantagem na busca por maiores retornos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nossos planos<\/h2>\n\n\n\n<p>Somos bastante realistas com o fato de que nossa estrat\u00e9gia de investimento n\u00e3o traria o mesmo patamar caso tiv\u00e9ssemos bilh\u00f5es sob gest\u00e3o. O limite de tamanho no qual temos boas chances de continuar atingindo nosso alvo de rentabilidade n\u00e3o \u00e9 preciso, mas sabemos que ele est\u00e1 em algum lugar entre R$ 500 milh\u00f5es e R$ 1 bilh\u00e3o. Diante disso, tomamos duas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 que, quando come\u00e7armos a ter dificuldades para encontrar bons investimentos devido ao tamanho do fundo, pretendemos fech\u00e1-lo para novos investidores, pois, al\u00e9m de investirmos a maior parte de nosso patrim\u00f4nio pessoal no \u00c1rtica Long Term FIA, nele tamb\u00e9m h\u00e1 capital relevante de v\u00e1rios amigos e familiares. Assim, tanto pela \u00e9tica profissional quanto por relacionamentos pessoais, temos um profundo compromisso de rentabilizar este capital da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda decis\u00e3o foi de n\u00e3o distribuir o \u00c1rtica Long Term FIA atrav\u00e9s de plataformas. Preferimos captar diretamente e evitar o \u201ccusto da embalagem\u201d, garantido assim que as taxas pagas por nossos investidores s\u00e3o destinadas \u00e0 estrutura de gest\u00e3o, que \u00e9 o que gera retorno. O impacto disso \u00e9 bastante grande: conseguimos sustentar a mesma estrutura com metade do patrim\u00f4nio sob gest\u00e3o que seria necess\u00e1rio caso pag\u00e1ssemos comiss\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, gostamos de conhecer e manter contato pr\u00f3ximo com nossos investidores. Captar diretamente traz o benef\u00edcio extra de permitir que continuemos com esta pr\u00e1tica. Temos buscado ser cada vez mais transparentes sobre nossa filosofia de investimentos e vis\u00e3o de mercado: come\u00e7amos a realizar <em>lives<\/em> sobre os temas das cartas mensais (toda primeira quarta-feira do m\u00eas \u00e0s 19:00) e, tamb\u00e9m, apresenta\u00e7\u00f5es de resultados trimestrais, em reuni\u00f5es online exclusivas para nossos investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tiverem qualquer sugest\u00e3o de o que mais poder\u00edamos fazer para melhorar a comunica\u00e7\u00e3o com voc\u00eas, por favor nos enviem um e-mail no endere\u00e7o <a href=\"mailto:investimentos@articainvest.com.br\">investimentos@articainvest.com.br<\/a> . Ficaremos contentes em ouvir novas ideias!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b9 Gao, Chao; Haight, Tim and Yin, Chengdong, Size, Age, and the Performance Life Cycle of Hedge Funds (September 2018); Chen, Joseph S. and Hong, Harrison G. and Huang, Ming and Kubik, Jeffrey D., Does Fund Size Erode Mutual Fund Performance? The Role of Liquidity and Organization (May 1, 2004)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b2 Dados da B3 em 30\/07\/2022, excluindo as empresas listadas que n\u00e3o t\u00eam a\u00e7\u00f5es negociadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b3 Publicamos uma carta sobre investimentos em <em>small caps<\/em> em setembro de 2021, que est\u00e1 dispon\u00edvel no link https:\/\/articainvest.com.br\/cartas\/investimento-em-small-caps\/<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros investidores, Hoje o funcionamento do mercado financeiro no Brasil ainda e pouco claro para a maior parte dos investidores individuais. Por exemplo, j\u00e1 se perguntou como as grandes corretoras ganham dinheiro, mesmo oferecendo servi\u00e7os gratuitos para pessoas f\u00edsicas, e quais as implica\u00e7\u00f5es deste modelo de neg\u00f3cios para os investidores? 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