{"id":5779,"date":"2021-09-08T11:43:36","date_gmt":"2021-09-08T14:43:36","guid":{"rendered":"https:\/\/hml.artica.capital\/asset-cartas\/investimento-em-small-caps\/"},"modified":"2025-08-10T12:10:19","modified_gmt":"2025-08-10T15:10:19","slug":"investimento-em-small-caps","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/asset-cartas\/investimento-em-small-caps\/","title":{"rendered":"Investimento em small caps"},"content":{"rendered":"<p>Dear investors,<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, investimentos em <em>small caps<\/em> se provaram uma forma rent\u00e1vel e consistente de superar os retornos do mercado. <em>Small caps<\/em> s\u00e3o as empresas com menor valor de mercado e que, devido ao seu tamanho, acabam sendo ignoradas por grande parte dos investidores. Esse abandono acaba criando assimetrias de pre\u00e7o e, por consequ\u00eancia oportunidades de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na carta desse m\u00eas, exploramos o assunto e trazemos algumas pesquisas com base em dados hist\u00f3ricos que mostram as vantagens dos investimentos em <em>small caps<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o exista uma defini\u00e7\u00e3o oficial que estabelece se uma empresa \u00e9 uma <em>small cap<\/em>, em geral, considera-se <em>small cap <\/em>umaempresa cujo valor de mercado varia entre US$ 300 milh\u00f5es e US$ 2 bilh\u00f5es (R$ 1,6 bilh\u00f5es a R$ 10 bilh\u00f5es no c\u00e2mbio atual de R$ 5,20). No Brasil, a B3 possui um \u00edndice de a\u00e7\u00f5es <em>small caps<\/em> (SMLL)<a href=\"https:\/\/www.articacapital.com.br\/beta\/carta\/investimento-em-small-caps#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[1]<\/a>, que representa uma carteira de 110 empresas e, atualmente (Agosto de 2021), o valor de mercado das empresas nesse \u00edndice varia entre R$ 210 milh\u00f5es (Recrusul) e R$ 23,8 bilh\u00f5es (Banco Pan), com m\u00e9dia de R$ 5,0 bilh\u00f5es \u2013 valores em linha com a refer\u00eancia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Frequentemente, associa-se <em>small caps<\/em> a <em>start-ups<\/em>, empresas em est\u00e1gios iniciais ou que ainda n\u00e3o apresentam lucro. Essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante equivocada. Muitas <em>small caps<\/em> s\u00e3o empresas com modelos de neg\u00f3cios provados e um hist\u00f3rico financeiro s\u00f3lido e rent\u00e1vel, ou seja, empresas de qualidade que, no pre\u00e7o correto, podem ser excelentes oportunidades de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>E tais oportunidades acabam surgindo de tempos em tempos. Devido ao seu tamanho reduzido, essas empresas geralmente possuem baixa liquidez e acabam sendo ignoradas por boa parte dos investidores. Muitos fundos e investidores institucionais at\u00e9 possuem restri\u00e7\u00f5es legais que os impedem de investir em <em>small caps<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <em>small caps<\/em> possuem vantagens adicionais: (1) dado o seu tamanho, as <em>small caps <\/em>s\u00e3o alvos mais f\u00e1ceis de transa\u00e7\u00f5es de M&amp;A e (2) muitas vezes, as empresas ainda possuem amplo espa\u00e7o para crescimento, o que tende a favorecer a valoriza\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes empresas de hoje j\u00e1 foram <em>small caps<\/em> um dia. Investidores que se limitam a investir nas grandes empresas acabam por vezes investindo quando grande parte da valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorreu. Por exemplo, Magazine Luiza em 2016 valia R$ 300 milh\u00f5es, e hoje vale R$ 126 bilh\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>Pode at\u00e9 haver oportunidades de crescimento nas grandes empresas, mas essas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais raras. Essas empresas muitas vezes j\u00e1 cresceram o suficiente para atingir participa\u00e7\u00e3o relevantes em seus mercados de atua\u00e7\u00e3o, e as alternativas de crescimento se tornam mais escassas, ou passam por expandir para novos mercados ou geografias, afastando-as das suas compet\u00eancias e vantagens competitivas que as trouxeram sucesso em primeiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses fatores positivos s\u00e3o refletidos nos resultados de pesquisas sobre o tema. Em 1981, Rolf Banz, um estudante da Universidade de Chicago, investigou o retorno de a\u00e7\u00f5es de acordo com seu tamanho. Ele descobriu que <em>small caps<\/em> apresentavam retornos superiores \u00e0s <em>large caps<\/em> de forma consistente, mesmo quando ajustado para risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Para analisar essa afirma\u00e7\u00e3o, a tabela abaixo apresenta os retornos de a\u00e7\u00f5es divididas por tamanho de mercado no per\u00edodo de 1926 a 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Tabela 1 \u2013 Retornos por decis de acordo com o tamanho das empresas, 1926-2012, EUA[2]<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Decil de tamanho (menor para o maior)<\/strong><\/td><td><strong>Retorno anual<\/strong><\/td><td><strong>Retorno em excesso em rela\u00e7\u00e3o ao CAPM<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1<\/td><td>17,0%<\/td><td>9,6%<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>12,8%<\/td><td>3,6%<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>11,3%<\/td><td>1,9%<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>11,3%<\/td><td>1,6%<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>11,0%<\/td><td>0,7%<\/td><\/tr><tr><td>6<\/td><td>11,0%<\/td><td>0,7%<\/td><\/tr><tr><td>7<\/td><td>11,2%<\/td><td>0,8%<\/td><\/tr><tr><td>8<\/td><td>10,2%<\/td><td>-0,1%<\/td><\/tr><tr><td>9<\/td><td>11,0%<\/td><td>0,8%<\/td><\/tr><tr><td>10<\/td><td>9,3%<\/td><td>-0,0%<\/td><\/tr><tr><td>Mercado total<\/td><td>9,7%<\/td><td>0,0%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>O retorno anualizado das menores a\u00e7\u00f5es da tabela foi de 17,0% a.a., patamar substancialmente maior que o retorno m\u00e9dio do mercado de 9,7%.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma cr\u00edtica comum dos investimentos em <em>small caps<\/em> \u00e9 que elas s\u00e3o mais arriscadas, e por isso, devem ser evitadas ou limitadas no portf\u00f3lio do investidor. N\u00e3o \u00e9 o que a tabela acima mostra. A segunda coluna mostra o n\u00edvel de retorno em excesso ao que seria esperado dado o n\u00edvel de volatilidade de cada grupo de a\u00e7\u00f5es e fica claro que mesmo ajustando por esse fator, os investimentos em <em>small caps<\/em> mostram um hist\u00f3rico superior de rela\u00e7\u00e3o risco-retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, o risco n\u00e3o deve ser desprezado. Diferente das <em>large caps<\/em>, \u00e9 comum encontrar maiores dificuldades para ter acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es importantes para avalia\u00e7\u00e3o do investimento, mas com an\u00e1lise criteriosa e disciplinada, buscando entender a fundo o neg\u00f3cio da empresa, acreditamos que investidores atentos sejam capazes de identificar e gerir os riscos associados aos investimentos em <em>small caps<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse resultado \u00e9 consistente n\u00e3o s\u00f3 nos EUA, mas em diversos outros pa\u00edses. As tabelas 2 e 3 abaixo mostram, respectivamente, os resultados de pesquisas feitas para retornos de a\u00e7\u00f5es no Reino Unido entre 1956 e 1987 e Jap\u00e3o entre 1966 e 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>Tabela 2 \u2013 Retornos por decis de acordo com o tamanho das empresas, 1956-1987, Reino Unido<a href=\"https:\/\/www.articacapital.com.br\/beta\/carta\/investimento-em-small-caps#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[3]<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Decil de tamanho (menor para o maior)<\/strong><\/td><td><strong>Retorno anual<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1<\/td><td>21,6%<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>17,7%<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>17,0%<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>15,6%<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>14,7%<\/td><\/tr><tr><td>6<\/td><td>13,7%<\/td><\/tr><tr><td>7<\/td><td>13,1%<\/td><\/tr><tr><td>8<\/td><td>13,2%<\/td><\/tr><tr><td>9<\/td><td>13,3%<\/td><\/tr><tr><td>10<\/td><td>11,4%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Tabela 3 \u2013 Retornos por quintil de acordo com o tamanho das empresas, 1966-1983, Jap\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.articacapital.com.br\/beta\/carta\/investimento-em-small-caps#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[4]<\/p>\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Quintil de tamanho (menor para o maior)<\/strong><\/td><td><strong>Retorno anual<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1<\/td><td>24,4%<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>18,0%<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>16,6%<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>14,0%<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>13,7%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quintil de tamanho (menor para o maior)<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Retorno anual<\/h2>\n\n\n\n<p>1<\/p>\n\n\n\n<p>24,4%<\/p>\n\n\n\n<p>2<\/p>\n\n\n\n<p>18,0%<\/p>\n\n\n\n<p>3<\/p>\n\n\n\n<p>16,6%<\/p>\n\n\n\n<p>4<\/p>\n\n\n\n<p>14,0%<\/p>\n\n\n\n<p>5<\/p>\n\n\n\n<p>13,7%<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados acima se provam verdadeiros inclusive no Brasil. O gr\u00e1fico abaixo apresenta os retornos do \u00edndice SMLL comparado com o Ibovespa para o per\u00edodo de Abril de 2008 at\u00e9 Agosto de 2021. Os resultados mostram que no per\u00edodo, o SMLL apresentou performance muito superior ao Ibovespa, com valoriza\u00e7\u00e3o de 2,92x (8,4% a.a. de retorno anual), comparado a 1,78x do principal \u00edndice da bolsa brasileira (4,4% de retorno anual).<\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1fico 1 \u2013 Retorno hist\u00f3rico IBOV vs. SMLL (2008-2021)<a href=\"https:\/\/www.articacapital.com.br\/beta\/carta\/investimento-em-small-caps#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[5]<\/p>\n\n\n<p><\/a>.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"525\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/investimento-em-small-caps-01.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5778\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/investimento-em-small-caps-01.webp 1024w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/investimento-em-small-caps-01-300x154.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/investimento-em-small-caps-01-768x394.webp 768w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/investimento-em-small-caps-01-18x9.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No \u00c1rtica, diferente de boa parte dos investidores, n\u00f3s temos bastante flexibilidade para investir em empresas de qualquer tamanho na bolsa, desde as <em>small caps<\/em> at\u00e9 as maiores empresas brasileiras. E o nosso fundo \u00e9 desenhado exatamente para isso. O prazo de resgate de 90 dias, o fato de parte relevante do capital do fundo ser dos nossos s\u00f3cios, e a vis\u00e3o de longo prazo dos nossos investidores permite que tenhamos uma toler\u00e2ncia maior para investir nas <em>small caps<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse maior leque de op\u00e7\u00f5es possibilitou encontrarmos excelentes oportunidades ignoradas pelo mercado e que foram fundamentais para contribuir para o nosso hist\u00f3rico de retorno. Esperamos continuar encontrando essas joias escondidas na bolsa! Na pr\u00f3xima carta, falaremos de um caso espec\u00edfico de uma <em>small cap<\/em> que \u00e9 parte relevante do nosso portf\u00f3lio hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>[1]<\/a> O \u00edndice SMLL \u00e9 composto por empresas que respeitem crit\u00e9rios m\u00ednimos de liquidez e estejam classificadas fora da lista dos que representam 85% do valor de mercado de todas as empresas listadas no mercado a vista.<\/p>\n\n\n\n<p>[2]<\/a> Os resultados da tabela refletem o estudo realizado por Rolf Banz em 1981 atualizados at\u00e9 2012 por Jeremy Siegel em seu livro \u201cStocks for the long run\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>[3]<\/a> Estudo conduzido por Mario Levis, Professor na Universidade de Bath, Reino Unido e John Moxon<\/p>\n\n\n\n<p>[4]<\/a> \u201cThe Size Effect and Seasonality in Japanese Stock Returns,\u201d Nomura Research Institute, 1984. Conduzido por T. Nakamura e N. Terada<\/p>\n\n\n\n<p>[5]<\/a> Fonte: B3; An\u00e1lise \u00c1rtica<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros investidores, Historicamente, investimentos em small caps se provaram uma forma rent\u00e1vel e consistente de superar os retornos do mercado. Small caps s\u00e3o as empresas com menor valor de mercado e que, devido ao seu tamanho, acabam sendo ignoradas por grande parte dos investidores. 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