{"id":5753,"date":"2021-05-11T11:30:30","date_gmt":"2021-05-11T14:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/hml.artica.capital\/asset-cartas\/para-onde-vai-o-cambio\/"},"modified":"2021-05-11T11:30:30","modified_gmt":"2021-05-11T14:30:30","slug":"para-onde-vai-o-cambio","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/asset-cartas\/para-onde-vai-o-cambio\/","title":{"rendered":"Para onde vai o c\u00e2mbio?"},"content":{"rendered":"<p>Dear investors,<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da crise do Covid-19 em 2020, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar tem oscilado entre R$ 5,00 e R$ 6,00, pr\u00f3ximos ao valor pico hist\u00f3rico registrado em 14 de maio de 2020, quando a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar atingiu R$ 5,93, o maior valor nominal desde o in\u00edcio do real em 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de j\u00e1 estarmos nos acostumando com o d\u00f3lar nesse patamar, vale lembrar que, nos 5 anos anteriores \u00e0 crise, a moeda americana oscilava entre R$ 3,00 e R$ 4,00 e, no in\u00edcio da d\u00e9cada passada, o d\u00f3lar era cotado pr\u00f3ximo a R$ 2,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses valores t\u00e3o distantes, cabe a pergunta: qual o valor justo do d\u00f3lar? E para onde ele vai?<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa carta, tentando ajudar a responder essas perguntas, n\u00f3s atualizamos um estudo que fizemos pela primeira vez em 2013, que coleta dados de mais de 50 anos e estima o que seria o valor de equil\u00edbrio para o c\u00e2mbio.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora exista uma s\u00e9rie de teorias que procuram explicar qual \u00e9 a taxa de c\u00e2mbio de \u201cequil\u00edbrio\u201d, \u00e9 imposs\u00edvel prev\u00eala com exatid\u00e3o. Diariamente, essa taxa \u00e9 determinada pelas leias de oferta e demanda nas opera\u00e7\u00f5es de convers\u00e3o entre diferentes moedas. Por exemplo, caso exista um fluxo muito grande de investidores estrangeiro interessados em investir no Brasil, eles precisam converter seus d\u00f3lares em reais. Com isto, a procura por reais aumenta e nossa moeda se valoriza, como aconteceu em 2010-2011.<\/p>\n\n\n\n<p>No mais recente boletim Focus do Banco Central, a expectativa de analistas do mercado \u00e9 de que terminaremos o ano com o d\u00f3lar ao redor de R$ 5,40 \u2013 no in\u00edcio do ano, estes mesmos analistas previam o d\u00f3lar a R$ 5,00 no final de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 bem colocou Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, \u201co c\u00e2mbio foi feito por Deus para humilhar os economistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, no longo prazo, estudos indicam que o que determina o n\u00edvel da taxa de c\u00e2mbio \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da paridade do poder de compra entre as moedas. Utilizando o exemplo do Big Mac Index, criado pela revista The Economist, podemos ilustrar sua l\u00f3gica. Em 1994, um Big Mac custava R$ 2,42 no Brasil. Em 2021, o mesmo sandu\u00edche custa R$ 21,90, um aumento de pre\u00e7o de 9,0 vezes no per\u00edodo. Qual a raz\u00e3o deste aumento? Ele decorre principalmente da infla\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas e do custo da m\u00e3o de obra no pa\u00eds. O sal\u00e1rio-m\u00ednimo passou de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 1.045 hoje (aumento superior a 16 vezes) e o pre\u00e7o da arroba do boi gordo multiplicou por 14 nos \u00faltimos 27 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nos Estados Unidos, um Big Mac custava US$ 2,32 em 1994. A infla\u00e7\u00e3o americana neste per\u00edodo foi mais contida do que a nossa, e hoje um Big Mac \u00e9 vendido por US$ 5,66. A rela\u00e7\u00e3o de troca impl\u00edcita no pre\u00e7o do Big Mac nos dois pa\u00edses era de 1,04 em 1994 (R$ 2,42 \/ US$ 2,32), e \u00e9 de 3,9 hoje (R$ 21,90 \/ US$ 5,66). Sua evolu\u00e7\u00e3o neste per\u00edodo reflete a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de maneira desigual nos dois pa\u00edses. N\u00e3o por acaso, em 1994 a taxa de c\u00e2mbio era tal que um d\u00f3lar valia um real, e antes da crise causada pelo Covid-19 a rela\u00e7\u00e3o estava oscilando ao redor de R$ 4,00. De fato, estudos j\u00e1 demonstraram que o Bic Mac Index \u00e9 surpreendentemente acurado para acompanhar as tend\u00eancias nas taxas de c\u00e2mbio entre pa\u00edses no longo prazo\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizemos a an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o entre taxa c\u00e2mbio e infla\u00e7\u00e3o para uma s\u00e9rie de moedas de pa\u00edses diferentes, cobrindo um per\u00edodo superior a 50 anos, e em todos os casos, a rela\u00e7\u00e3o de paridade do poder de compra se mostra bastante s\u00f3lida. O caso do Brasil \u00e9 o mais emblem\u00e1tico porque, desde 1960, tivemos 8 denomina\u00e7\u00f5es de moeda diferentes (cruzeiro, cruzado, cruzeiro novo etc.), per\u00edodos de hiperinfla\u00e7\u00e3o e cortamos 9 zeros da moeda. A taxa de c\u00e2mbio nominal variou significativamente: 1 d\u00f3lar comprava 12.985 cruzeiros em fevereiro de 1986, e apenas 0,84 real em outubro de 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando analisamos a taxa de c\u00e2mbio hist\u00f3rica da moeda brasileira frente ao d\u00f3lar, retirando o efeito da infla\u00e7\u00e3o ocorrida nos dois pa\u00edses, vemos que varia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio \u00e9 muito menor, e que oscila em torno de um ponto de equil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico 1 abaixo, que cobre o per\u00edodo desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, mostra como per\u00edodos de moeda valorizada e desvalorizada se alternaram ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1074\" height=\"623\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5751\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01.webp 1074w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01-300x174.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01-1024x594.webp 1024w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01-768x445.webp 768w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-01-18x10.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 1074px) 100vw, 1074px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1015\" height=\"589\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-02.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5752\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-02.webp 1015w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-02-300x174.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-02-768x446.webp 768w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/para-onde-vai-o-cambio-02-18x10.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 1015px) 100vw, 1015px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n\n\n<p>Embora esta metodologia n\u00e3o nos permita fazer previs\u00f5es de curto prazo, conseguimos fazer algumas infer\u00eancias direcionais que podem ser \u00fateis nas decis\u00f5es de investimento de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 que, apesar de termos passado por diversas crises e momentos de euforia ao longo de nossa hist\u00f3ria recente, o valor do c\u00e2mbio sempre reverte ao seu patamar de equil\u00edbrio. Atualmente este patamar estaria entre R$ 3,30 e R$ 3,70 \u2013 surpreendente considerando os n\u00edveis atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos apenas um outro per\u00edodo, 2002, no qual o c\u00e2mbio caiu em termos relativos ainda mais do que agora. Ou seja, o valor que o d\u00f3lar atingiu em maio, apesar de um recorde nominal, ainda n\u00e3o \u00e9 um recorde de desvaloriza\u00e7\u00e3o em termos reais da nossa moeda frente ao d\u00f3lar, o que ocorreu em 22 de outubro de 2002. Neste dia, o d\u00f3lar fechou cotado a R$ 3,95 que, a valores de hoje, equivaleria a R$ 7,922. O gr\u00e1fico mostra como em alguns momentos de stress financeiro o c\u00e2mbio se descolou de maneira mais acentuada do valor \u201cjusto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto de destaque \u00e9 que os per\u00edodos de sobrevaloriza\u00e7\u00e3o ou desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda podem ser longos. Por exemplo, durante 8 anos, entre 1999 e 2006, nossa moeda ficou significativamente desvalorizada e, no sentido oposto, nos pr\u00f3ximos 8 anos, entre 2007 e 2014, passamos por um per\u00edodo onde o real se manteve valorizado frente ao d\u00f3lar. Por fim, \u00e9 importante notar que o c\u00e2mbio de equil\u00edbrio \u00e9 crescente ao longo do tempo (linha vermelha do gr\u00e1fico acima). Isso \u00e9 decorrente do fato de o Brasil ter uma infla\u00e7\u00e3o historicamente muito maior que a norte-americana. Com isso, mesmo que o c\u00e2mbio nominal fique estacionado nesse patamar atual entre R$ 5,00 e R$ 6,00, o diferencial de infla\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses pode ser capaz de retornar o c\u00e2mbio para um n\u00edvel de equil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio atual no qual infla\u00e7\u00e3o volta a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o dos investidores, esse certamente \u00e9 um cen\u00e1rio que merece aten\u00e7\u00e3o. Nossa \u00faltima carta (de abril\/2021) aborda o tema de infla\u00e7\u00e3o em mais detalhes e apresenta nossa vis\u00e3o sobre porque acreditamos que a\u00e7\u00f5es funcionam como um hedge contra infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b9 Burgernomics: the economics of the Big Mac standard, Journal of International Money and Finance<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b2 Calculado considerando a infla\u00e7\u00e3o acumulada no Brasil no per\u00edodo (193%) e descontando a infla\u00e7\u00e3o acumulada nos Estados Unidos (46%) Volume 16, Issue 6, December 1997, Pages 865-878<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros investidores, Desde o in\u00edcio da crise do Covid-19 em 2020, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar tem oscilado entre R$ 5,00 e R$ 6,00, pr\u00f3ximos ao valor pico hist\u00f3rico registrado em 14 de maio de 2020, quando a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar atingiu R$ 5,93, o maior valor nominal desde o in\u00edcio do real em 1994. Apesar [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":5750,"template":"","meta":[],"class_list":["post-5753","cartas","type-cartas","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/cartas\/5753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/cartas"}],"about":[{"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/cartas"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}