{"id":5647,"date":"2024-06-03T11:07:42","date_gmt":"2024-06-03T14:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/hml.artica.capital\/asset-cartas\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil\/"},"modified":"2024-06-03T11:07:42","modified_gmt":"2024-06-03T14:07:42","slug":"por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/hml.artica.capital\/en\/asset-cartas\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil\/","title":{"rendered":"Por que investir em a\u00e7\u00f5es fora do Brasil?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-eb5bab19 wp-block-group-is-layout-constrained\">\n\n<div class=\"wp-block-columns artica-content-spaces is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:40%\">\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: #Carta Junho\/24: Por que investir fora do Brasil?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"624\" height=\"351\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4rkV6ikJjLRSKoox9xQuOv\/video?utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n<\/div>\n\n<\/div>\n\n<\/div>\n\n\n\n<p>Dear investors,<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso hist\u00f3rico de investimentos \u00e9 quase todo na bolsa brasileira. Enquanto boa parte dos investidores brasileiros acredita que nossa bolsa n\u00e3o \u00e9 um bom ambiente de investimentos, devido \u00e0s turbul\u00eancias pol\u00edticas e econ\u00f4micas do pa\u00eds e por causa da famosa compara\u00e7\u00e3o do retorno do IBOV com o CDI nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temos uma vis\u00e3o diferente. Apesar de uma estrat\u00e9gia passiva de investimentos em a\u00e7\u00f5es n\u00e3o ter perspectivas muito atraentes, h\u00e1 muito espa\u00e7o para ter bons retornos com gest\u00e3o ativa. Foi essa a estrat\u00e9gia que executamos com sucesso ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Por\u00e9m, recentemente passamos a olhar mais para fora do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022 esse tema de investimentos internacionais ganhou certa evid\u00eancia, pois v\u00e1rios fundos multimercado investiram em economias estrangeiras e at\u00e9 o p\u00fablico geral come\u00e7ou a buscar investimentos fora do pa\u00eds, atrav\u00e9s de corretoras novas que ofereciam contas para operar no exterior. No entanto, esse movimento foi impulsionado pelo receio com a economia brasileira e o consequente desejo de diversificar em outras geografias, enquanto nossa motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante diferente. Vamos explicar por que ainda gostamos da bolsa brasileira e porque, mesmo assim, fez sentido para n\u00f3s buscar investimentos tamb\u00e9m em outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O lado bom da bolsa brasileira<\/h2>\n\n\n\n<p>Investir em a\u00e7\u00f5es \u00e9 uma atividade competitiva. Para ter retornos acima do \u00edndice, \u00e9 necess\u00e1rio acertar mais do que a m\u00e9dia do mercado. Como em qualquer din\u00e2mica competitiva, a primeira coisa que um participante gostaria de saber \u00e9 quem s\u00e3o os outros competidores e qu\u00e3o desafiador \u00e9 super\u00e1-los. Assim, uma pergunta importante \u00e9: quem investe na bolsa brasileira? Uma boa refer\u00eancia para essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de cada tipo de investidor no volume total negociado no mercado \u00e0 vista de a\u00e7\u00f5es, informado pela pr\u00f3pria B3 mensalmente:<\/p>\n\n\n\n<p>Investidores no Volume Total Mensal da B3<\/strong> (abril de 2024)<\/p>\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"656\" height=\"440\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-01.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5645\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-01.webp 656w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-01-300x201.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-01-18x12.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n<p>Para investidores estrangeiros, o Brasil \u00e9 um mercado completamente perif\u00e9rico. O valor total das empresas listadas na bolsa brasileira representa ~ 2% do mercado global de a\u00e7\u00f5es e apenas ~70 empresas valem mais do que U$ 2 bilh\u00f5es. Abaixo desse valor, o mercado americano classifica a\u00e7\u00f5es como small caps. Ou seja, para um investidor institucional americano, somos um pequeno mercado emergente de small caps. Muitos dos estrangeiros que investem no Brasil o fazem como parte de uma estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o do portf\u00f3lio em mercados emergentes, avaliando o n\u00edvel de valuation m\u00e9dio da bolsa e a expectativa de crescimento da economia brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 das economias desenvolvidas. Poucos far\u00e3o an\u00e1lises aprofundadas sobre empresas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Investidores individuais tem perfis variados, mas, geralmente, n\u00e3o tem conhecimento t\u00e9cnico profundo e n\u00e3o tem tanto tempo livre para dedicar a an\u00e1lises de a\u00e7\u00f5es. A maioria faz an\u00e1lises superficiais ou segue as recomenda\u00e7\u00f5es de algum servi\u00e7o por assinatura que forne\u00e7a an\u00e1lises de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Restam os investidores institucionais e institui\u00e7\u00f5es financeiras. Esses sim s\u00e3o investidores profissionais, qualificados, com equipe dedicada e sistemas de informa\u00e7\u00f5es. No entanto, essa categoria envolve tanto os fundos de a\u00e7\u00f5es quanto outros tipos de fundos, em particular multimercados, e boa parte deles n\u00e3o tem estrat\u00e9gias de gest\u00e3o ativa em a\u00e7\u00f5es. Podem acompanhar a carteira do \u00edndice, e varia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas em torno delas, ou estar mais atentos ao balanceamento entre a\u00e7\u00f5es e outras classes de ativos do que a sele\u00e7\u00e3o das melhores a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, menos de 30% dos participantes do mercado brasileiro de a\u00e7\u00f5es (potencialmente, bem menos) est\u00e1 ativamente fazendo an\u00e1lises profundas de empresas espec\u00edficas. Al\u00e9m disso, muitos dos fundos de investimentos ainda enfrentam o problema de ter uma base de investidores vol\u00e1til, que se desespera quando o humor de mercado deteriora e come\u00e7a a realizar saques, de modo que, mesmo que o gestor do fundo acredite que \u00e9 hora de comprar mais, ele pode ser obrigado a vender para retornar o dinheiro aos seus cotistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa a competi\u00e7\u00e3o que enfrentamos no Brasil. O investidor t\u00edpico que atua em nossa bolsa presta menos aten\u00e7\u00e3o aos detalhes sobre as empresas listadas do que ao ambiente macro do pa\u00eds. Isso gera uma volatilidade de pre\u00e7os de a\u00e7\u00f5es que, por vezes, n\u00e3o \u00e9 correlacionada com os resultados financeiros esperados para cada empresa. Esse \u00e9 o ambiente perfeito para investidores fundamentalistas operarem: um mercado em que os pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es variam bastante em torno das estimativas de valor intr\u00ednseco de cada empresa, que \u00e9 justamente a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para haver oportunidades de comprar barato e vender caro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O lado ruim da bolsa brasileira<\/h2>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, h\u00e1 tr\u00eas caracter\u00edsticas que consideramos ruins em nosso mercado de a\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a pequena quantidade de ativos. Hoje, h\u00e1 340 empresas listadas na B3 e apenas 214 delas com liquidez maior que R$ 500 mil por dia, ainda considerada bastante baixa, mas que nos permite operar com posi\u00e7\u00f5es pequenas. Isso limita bastante o universo de oportunidades que temos para avaliar.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo fator negativo \u00e9 que a economia brasileira n\u00e3o \u00e9 forte em setores que tenham, simultaneamente, alta rentabilidade e diferenciais competitivos a n\u00edvel global. Por exemplo, v\u00e1rias das nossas empresas listadas operam em setores de commodities, caracterizadas por resultados vol\u00e1teis que dificultam estimar seu valor justo com assertividade. Outras s\u00e3o altamente reguladas ou de controle estatal, com a consequente imprevisibilidade trazida pelas poss\u00edveis interfer\u00eancias pol\u00edticas. Retirando da lista os neg\u00f3cios em setores que julgamos pouco interessantes, sobram entre 100 e 150 empresas. \u00c9 um conjunto bastante pequeno de oportunidades e, consequentemente, o n\u00famero de excelentes teses de investimento que \u00e9 poss\u00edvel encontrar nesse meio \u00e9 bastante restrito.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro aspecto \u00e9 a inseguran\u00e7a jur\u00eddica do Brasil, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a temas tribut\u00e1rios. Em diversos neg\u00f3cios, mesmo com executivos corretos e diligentes, surgem disputas judiciais de valores expressivos sobre o valor dos impostos devidos pela empresa. O inc\u00f4modo desse cen\u00e1rio para investidores \u00e9 que, em diversas teses de investimento, existe uma chance de a empresa perder parte relevante de seu valor se a decis\u00e3o judicial for contr\u00e1ria ao seu pleito. Os lit\u00edgios costumam ser complexos, com prazo de conclus\u00e3o e resultado bastante incertos. Para ilustrar o quanto isso atrapalha, em uma determinada tese de investimentos avaliamos um lit\u00edgio tribut\u00e1rio que se estendia h\u00e1 mais de 10 anos. Lemos mais de 500 p\u00e1ginas de processo, fizemos reuni\u00f5es com v\u00e1rios advogados e o resultado desse trabalho todo foi uma estimativa da ordem de grandeza das perdas associadas a cada poss\u00edvel cen\u00e1rio de conclus\u00e3o do lit\u00edgio, uma no\u00e7\u00e3o muito vaga das chances de cada cen\u00e1rio se materializar e a expectativa de que o caso ainda demoraria anos e anos para se resolver.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que come\u00e7amos a olhar para fora<\/h2>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o dos fatores bons e ruins da bolsa brasileira ainda nos parece positivo. Ela oferece boas oportunidades de investimento, com certa frequ\u00eancia, para quem se disp\u00f5e a realizar um trabalho cuidadoso na sele\u00e7\u00e3o das empresas nas quais investir. Por\u00e9m, as bolsas internacionais chamaram nossa aten\u00e7\u00e3o porque surgiu uma janela de oportunidades at\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p>O que os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o enfrentando agora s\u00e3o crises inflacion\u00e1rias muito semelhantes \u00e0 brasileira, com a diferen\u00e7a de que o Brasil come\u00e7ou o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o cerca de um ano antes dos Estados Unidos e Europa. Assim, enquanto nosso banco central j\u00e1 est\u00e1 realizando cortes de juros, os bancos centrais de outros pa\u00edses ainda est\u00e3o em um est\u00e1gio semelhante ao que o Brasil estava no segundo semestre de 2023: no \u00e1pice das taxas de juros, discutindo por quanto tempo ter\u00e3o que mant\u00ea-las ou se algum aumento extra ser\u00e1 necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos investidores a esse cen\u00e1rio de alta de juros ao redor do mundo foi a mesma que vimos acontecer no Brasil: houve uma grande migra\u00e7\u00e3o de capital alocado em a\u00e7\u00f5es para t\u00edtulos de renda fixa e, por consequ\u00eancia, os pre\u00e7os de a\u00e7\u00f5es ca\u00edram com a press\u00e3o das vendas. Por isso, v\u00e1rias bolsas est\u00e3o em patamares de valuation bastante inferiores \u00e0 sua m\u00e9dia hist\u00f3rica, o mesmo cen\u00e1rio que enxergamos aqui no Brasil. A atual oferta de a\u00e7\u00f5es baratas \u00e9 um fen\u00f4meno global.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a esse ambiente macroecon\u00f4mico tumultuado, vale a ressalva de que nem tudo est\u00e1 barato. Em meio ao valuation m\u00e9dio atrativo, h\u00e1 barganhas e empresas negociadas a pre\u00e7os ousados. Um exemplo not\u00f3rio \u00e9 o patamar de pre\u00e7os das big techs americanas. Sem d\u00favida s\u00e3o empresas de excelente qualidade e grande potencial, mas n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio afirmar que valuations na faixa de 25 a 60 vezes pre\u00e7o\/lucro s\u00e3o grandes barganhas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Investir no exterior \u00e9 mais dif\u00edcil?<\/h2>\n\n\n\n<p>A grande desvantagem de investir no exterior \u00e9 ter que lidar com o risco de varia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio, que \u00e9 como o pre\u00e7o de commodities: imposs\u00edvel de prever. Em teoria, a rela\u00e7\u00e3o entre duas moedas deveria variar apenas em fun\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre a infla\u00e7\u00e3o nas duas moedas, mas, na pr\u00e1tica, a taxa de c\u00e2mbio real pode passar per\u00edodos muito longos distante desse ponto de equil\u00edbrio te\u00f3rico. Por exemplo, a an\u00e1lise abaixo mostra a rela\u00e7\u00e3o entre d\u00f3lares e reais (USD\/BRL) desde 1999, quando o Brasil adotou o regime de c\u00e2mbio flutuante. A linha vermelha \u00e9 o que deveria ter sido a taxa de c\u00e2mbio ao longo do tempo se a teoria funcionasse perfeitamente e a linha azul \u00e9 o c\u00e2mbio real.<\/p>\n\n\n\n<p>Taxa de c\u00e2mbio real vs. te\u00f3rica<\/strong> (USD\/BRL)<\/p>\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"382\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-02.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-5646\" srcset=\"https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-02.webp 698w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-02-300x164.webp 300w, https:\/\/hml.artica.capital\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/por-que-investir-em-acoes-fora-do-brasil-02-18x10.webp 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise serve como uma refer\u00eancia de para onde o c\u00e2mbio deveria gravitar no longo prazo, mas n\u00e3o ajuda muito a prever qual ser\u00e1 a taxa de c\u00e2mbio nos pr\u00f3ximos anos. O problema disso \u00e9 que uma varia\u00e7\u00e3o grande no c\u00e2mbio pode estragar o retorno um investimento bem-sucedido do ponto de vista da moeda local da empresa investida, caso a convers\u00e3o do capital de volta para reais seja feita a uma taxa muito pior do que a vigente no momento que o investimento foi feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomamos duas precau\u00e7\u00f5es para mitigar o risco de c\u00e2mbio: a primeira \u00e9 a boa e velha margem de seguran\u00e7a: para investir fora do Brasil, exigimos um desconto maior no pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a seu valor justo, para compensar o risco extra; a segunda \u00e9 evitar investimentos em neg\u00f3cios c\u00edclicos no exterior, pois a taxa de c\u00e2mbio poderia estar desfavor\u00e1vel no momento do ciclo setorial prop\u00edcio para vender as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora o problema do c\u00e2mbio, n\u00e3o h\u00e1 grandes impeditivos para investir em outros pa\u00edses, contanto que sejam selecionados aqueles com economia est\u00e1vel e ambientes de neg\u00f3cios que somos capazes de entender. O tipo de an\u00e1lise fundamentalista que realizamos \u00e9 aplic\u00e1vel a qualquer geografia e hoje a localiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica importa pouco para conseguir levantar dados e se comunicar. Marcar videoconfer\u00eancias com executivos de Londres \u00e9 t\u00e3o simples quanto marcar com executivos de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As vantagens de olhar o mundo todo<\/h2>\n\n\n\n<p>O principal impacto de olhar para fora do Brasil \u00e9 que expandimos nosso universo de poss\u00edveis investimentos de 214 empresas para mais de 25 mil a\u00e7\u00f5es listadas ao redor do mundo. A vantagem \u00e9 estat\u00edstica: a chance de achar oportunidades extraordin\u00e1rias em um espa\u00e7o amostral de 25 mil a\u00e7\u00f5es \u00e9 muito maior do que achar algo extraordin\u00e1rio entre as 200 a\u00e7\u00f5es locais, da mesma maneira que \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar uma pessoa com 2,20 metros de altura em um grupo de 25 mil pessoas do que em um grupo de 200. Assim, podemos ser bem mais rigorosos nos crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o e ainda ter expectativa de encontrar a\u00e7\u00f5es que atendam \u00e0s nossas exig\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica que nos favorece \u00e9 que os mercados de a\u00e7\u00f5es de pa\u00edses desenvolvidos s\u00e3o muito maiores do que o brasileiro, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao porte das empresas quanto ao porte dos fundos de investimento que atuam neles. No mercado americano, fundos de a\u00e7\u00f5es com menos de USD 1 bilh\u00e3o s\u00e3o considerados pequenos e abaixo de USD 10 bilh\u00f5es ainda s\u00e3o considerados m\u00e9dios. \u00c9 por isso que consideram small caps as empresas que valem menos de USD 2 Bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o \u00c1rtica Long Term tem cerca de R$ 250 milh\u00f5es (~USD 50 MM) sob gest\u00e3o, um tamanho min\u00fasculo para os padr\u00f5es globais, que se traduz em uma vantagem relativa para atuar nos mercados desenvolvidos. Para n\u00f3s, \u00e9 um bom investimento de tempo analisar com profundidade uma empresa onde possamos alocar 10% de nosso portf\u00f3lio (USD 5 MM), com liquidez di\u00e1ria acima de USD 100 mil. Para um fundo americano t\u00edpico, a\u00e7\u00f5es desse porte s\u00e3o pequenas demais e sequer valem o esfor\u00e7o de analisar. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 com os bons gestores americanos que estaremos competindo quando avaliarmos a\u00e7\u00f5es de empresas que valem USD 1 ou 2 bilh\u00f5es. Como o que mais importa para n\u00f3s \u00e9 o retorno gerado para nossos investidores, continuaremos aproveitando ao m\u00e1ximo a vantagem trazida por nosso porte atual e procurando atuar nos ambientes menos competitivos poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que fizemos at\u00e9 agora<\/h2>\n\n\n\n<p>Estamos olhando, h\u00e1 cerca de 6 meses, a\u00e7\u00f5es em lugares com culturas de neg\u00f3cios com as quais j\u00e1 temos certa familiaridade: Estados Unidos e os pa\u00edses da Europa Ocidental. At\u00e9 o momento, investimos em duas empresas listadas na bolsa de Londres. O fato de ambas serem inglesas foi uma coincid\u00eancia, n\u00e3o as encontramos mirando exatamente na Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas \u00e9 uma small cap que se enquadra bem na tipologia que descrevemos, com market cap de ~R$ 600 milh\u00f5es e liquidez di\u00e1ria de ~R$ 750 mil. Pequena demais para a maior parte dos fundos ingleses darem import\u00e2ncia. Cresceu 21% a.a., em m\u00e9dia, nos \u00faltimos 5 anos e manteve uma rentabilidade m\u00e9dia sobre patrim\u00f4nio l\u00edquido de 15%a.a., em libras esterlinas. Compramos a\u00e7\u00f5es dessa empresa a um valuation de aproximadamente 5x Pre\u00e7o\/Lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra \u00e9 uma large cap que vale dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 um neg\u00f3cio global maduro que j\u00e1 n\u00e3o tem crescimento expressivo, mas mant\u00e9m boa rentabilidade, forte gera\u00e7\u00e3o de caixa e est\u00e1 sendo negociada a 7,5x Pre\u00e7o\/Lucro, enquanto costumava ser negociada entre 10-15x Pre\u00e7o Lucro antes da crise inflacion\u00e1ria. Nessa tese, o que nos atraiu n\u00e3o foi exatamente essas refer\u00eancias de pre\u00e7os, mas o fato de que a chance de preju\u00edzos \u00e9 baixa e h\u00e1 um potencial de valoriza\u00e7\u00e3o expressiva do neg\u00f3cio dentro de alguns anos, devido a mudan\u00e7as no contexto setorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Como notaram, ainda n\u00e3o queremos abrir quais s\u00e3o as empresas, pois s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es pequenas em nosso portf\u00f3lio e pode ser que ainda compremos mais. Se chegarem a um tamanho relevante, traremos mais detalhes sobre elas em uma pr\u00f3xima carta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-pureza-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-95339512 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"padding-top:24px;padding-right:24px;padding-bottom:24px;padding-left:24px\">\n\n<p class=\"has-noite-color has-text-color has-link-color has-merriweather-font-family wp-elements-147b23ca9039055989718fe8c82be16e\" style=\"font-size:18px;font-style:normal;font-weight:400;letter-spacing:0px;line-height:1.8\">\n  <em>Check out the comments from Ivan Barboza, manager of \u00c1rtica Long Term FIA, on this month&#039;s letter in <a href=\"https:\/\/youtube.com\/DfBibFpFHGI\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a> or not <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4rkV6ikJjLRSKoox9xQuOv\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Spotify<\/a>.<\/em>\n<\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros investidores, Nosso hist\u00f3rico de investimentos \u00e9 quase todo na bolsa brasileira. 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